quarta-feira, 28 de setembro de 2016

REFLETINDO SOBRE A VOCAÇÃO

De um modo geral, entendemos que vocação é a chamada do evangelho a todos os perdidos pecadores, exortando-os ao arrependimento e aceitação de Cristo pela fé. Neste sentido, antes do pecador crer em Cristo como seu único e suficiente salvador faz-se necessário ouvir a chamada do evangelho da graça (Rm 10.17).

A Vocação e Seus Dois Aspectos
A Soteriologia Reformada compreende a doutrina bíblica da vocação sob dois aspectos: a vocação geral (externa) e a vocação eficaz (interna). Esta distinção é necessária para compreendermos a diferença entre o chamado universal feito pelo Evangelho e o chamado particular realizado pelo Espírito no coração dos eleitos.Entendemos que aprouve ao Senhor estender o convite do evangelho a todos os perdidos pecadores, sem qualquer distinção (Mc 16.15). No entanto, o Espírito Santo usará este chamado para atrair eficazmente à salvação somente aqueles que foram unidos a Cristo desde a eternidade (At 13.48). A este respeito, Herman Bavinck nos diz o seguinte: “Essa vocação, porém, não serve somente no início para convidar o não crente à fé e ao arrependimento, mas também para admoestar e advertir, alcançar e conduzir os crentes permanentemente”.

A Vocação Geral ou Externa
Conforme dito anteriormente, a vocação geral ou “externa” refere-se ao convite do evangelho da graça aos perdidos pecadores. Segundo a Escritura, o Salvador deseja que todos os pecadores ouçam a pregação do evangelho (Mt 28.19). Este convite ao arrependimento deve ser estendido aos pecadores de todas as nações da terra. Em toda a parte, todos precisam ouvir este chamado à salvação pela fé em Cristo, contudo, a Escritura claramente nos ensina que muitos não passarão de meros ouvintes do evangelho (Lc 14.15-24; At 13.46), todavia, a recusa e incredulidade por parte de muitos (2 Ts 1.7-9) não anula a ordem de pregar o evangelho de Cristo a todos indistintamente (Mc 16.15). Este chamado é geral pelo fato de ser estendido a todos os homens, de todas as classes, nações e raças. Justos e ímpios devem ouvir o chamado do evangelho de Cristo (Mt 22.2-8; At 17.30). Todos são convidados a vir a Cristo (Mt 11.28-30; Jo 7.37; Is 55.1-7). Embora saibamos que Deus, antes da fundação do mundo, destinou alguns para a vida eterna, faz-se necessário reiterar que Ele também ordenou que todos ouvissem o evangelho de Cristo. Isso nos leva a perceber que nem todos serão resgatados pela pregação do evangelho, porém, devemos proclamá-lo impreterivelmente a fim de que os eleitos de Deus possam ouvir e crer em Cristo como Salvador pessoal (Mt 22.14).    

A Vocação Eficaz ou Interna
O outro aspecto da vocação trata da ação do Espírito Santo mediante a pregação do evangelho de Cristo na vida dos pecadores eleitos.  Vimos que todos devem ouvir o convite do evangelho de Cristo, no entanto, tal convite só será eficaz na vida daqueles que, eleitos pelo Pai, forem alvos da ação gloriosa do Espírito Santo (1 Co 1.23-24). Segundo a Escritura, os eleitos ouvirão a oferta do evangelho e, por obra do Espírito Santo, terão seus corações abertos para crer (At 16.14). Diferentemente dos réprobos, não podem recusar tal oferta quando pelo Espírito são chamados eficazmente (At 13.48). Neste sentido, o apóstolo Paulo afirma que para os que se perdem o evangelho é loucura (1 Co 1.18), no entanto, para os que foram eficazmente chamados é o poder de Deus (v. 24). De fato, sem a ação do Espírito o homem é incapaz de compreender o evangelho. Tal privilégio e graça são aplicados apenas na vida daqueles que o Senhor, desde a eternidade, quis chamar salvadoramente (Rm 8.28-30). Fica evidente que todos quantos receberão o dom da vida eterna serão eficazmente chamados por Deus (Ap. 17.14), mediante pregação do evangelho de Cristo (2 Te 2.13-14) e ação gloriosa do Espírito (At 16.44; 1 Co 2.12-13 e 2 Co 4.6).  


“Somente quando Deus brilha em nós pela luz do seu Espírito é que obtemos qualquer proveito de sua Palavra. A vocação interior, a qual só é eficaz e peculiar ao eleito, é distinta da voz dos homens, que vem do exterior”. João Calvino

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